terça-feira, 2 de janeiro de 2018

O que querem de mim?


Sou um vento escorrendo por entre abismos
não acorrento pradarias e disparo nas sombras minhas evidências.
Corro por entre estas ruínas sonhadoras
onde suspiros de dormentes egoístas covardes dominam
numa recorrência de sinais sem frequência
e cruel é saber da repetição
cruel não é a sua maldade,
nem a sua besta frase pronta
cruel é o cansaço que multiplica meus zunidos
cruel é saber que a tua bandeira frouxa
pensa ser meus pesadelos.
Cansei dos foras dos teus foras
preciso alongar teu silêncio
pintar o verde neste vermelho sujo de teus sonhos
e deixar o vento que em mim escorre
sorrir por sobre teus fracassos.

Pra ti Luz, luz e luz
pois ainda resta lama nestes olhos
mas é a tua mente que sofre
a palavra corta aquela língua
que grita: morte.

Luz e então serás sorriso.

Ronaldo Braga

domingo, 31 de dezembro de 2017

AUSÊNCIAS


 
Au sên cias.
Desde criança. Ao olhar para qualquer lado,
tudo o que eu via e sentia era somente ausências.
Como a voz de um sonho, eu sempre ouvia alguém falar: - Catorze hora e quinze minutos. Eu nem mesmo sabia o que era aquilo:  Catorze horas e quinze minutos.
Eu não sei o que essa moça dizia.
Era como um sonho e era um sonho mesmo e eu fiquei sabendo, e eu fiquei
sabendo que se podia dizer: - Catorze horas e quinze minutos.
Repeti isso muitas vezes. Eu tenho certeza que repeti
- Catorze horas e quinze minutos, por umas catorze horas e quinze minutos,
não sei por que.
Só acertei parar de repetir quando
alguém gritou para outro que eu não conheço, nem alguém
e nem o outro. Mas gritou: Catorze horas e quinze minutos. Nessa hora
eu ouvi o grito. Olhei direto para o lado esquerdo. Uma mulher,
acredite, sem um olho e nenhum dente na boca me disse às gargalhadas
- Você tá fudi... Ela não disse a ultima silaba e eu fiquei feliz,
como se fosse a possibilidade de uma mudança em
meu destino. Essa mulher, ainda aos sorrisos
profundos, agora me pede um real, e eu via de e na sua boca sem dentes:
Sapos, homens velhos em miniaturas muito zangados, e que cantavam
"metamorfose ambulante' de Raul Seixas e muito mais saía e entrava por sua boca:
grilos e formigas e baratas. Muitas baratas saiam daquela imunda boca. O meu mundo agora é essa boca sem dentes. Hoje aqui fixei residência.
Nessa imunda e imensa boca eu moro:
Injúrias, blasfêmias, ofensas, palavrões. Esses sãos os meus vizinhos constantes. A mulher sem um olho e nenhum dente, traz na boca eu e mais outras criaturas.
Os dias aqui são normais como em qualquer boca sem dentes. Quando eu não estou na boca sem dentes, eu sou só ausências, ausências antes e ausências depois de ausências.
Aqui na boca a primeira tarefa é a procura dos dentes.
E eu sempre trago essas fantasias em minha mente.
E aí eu lembro o meu pai.
Ronaldo Braga

segunda-feira, 4 de julho de 2016

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Anos 60 e 70



jovem guarda

segunda-feira, 13 de junho de 2016

BERGMAM



GRITOS ESUSSURROS
HITLER


ASCENSÃO DO MAL PART 2

Hitler



A ascensão do Mal